Início » Volta a Portugal em Bicicleta – ZERO satisfeita com fortes condicionantes impostas a passagem no Gerês
A ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável considera que o parecer hoje emitido pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) relativamente à passagem da 7.ª etapa da 87.ª Volta a Portugal em Bicicleta pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês responde adequadamente aos esclarecimentos solicitados pela associação no passado dia 11 de julho e às preocupações então manifestadas sobre a proteção da Mata de Albergaria e dos restantes habitats classificados atravessados pela prova.
Na altura, a ZERO reconheceu o interesse da valorização do Parque Nacional da Peneda-Gerês através de um evento de projeção internacional, mas alertou para a necessidade de garantir total transparência quanto às autorizações concedidas, à avaliação dos impactes e às medidas destinadas a assegurar a compatibilidade da prova com os objetivos de conservação da natureza.
O parecer agora conhecido estabelece um conjunto muito exigente de condicionantes específicas para a 7.ª etapa, reconhecendo expressamente que esta atravessa alguns dos setores de maior sensibilidade ecológica do Parque Nacional da Peneda-Gerês, incluindo a Reserva Biogenética das Matas de Palheiros e Albergaria, a Zona Especial de Conservação Peneda-Gerês, a Zona de Proteção Especial Serra do Gerês e a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés. O próprio ICNF conclui que uma parte significativa dos impactes previsíveis apenas poderá ser reduzida através da adoção de medidas rigorosas de gestão da presença de público, limitação dos meios motorizados e aéreos, controlo do ruído, gestão de resíduos e proteção dos setores ecologicamente mais sensíveis.
Entre as medidas impostas destacam-se a interdição da permanência de público no troço entre a Preguiça e a Portela do Homem, a exclusão da utilização de helicópteros e drones sobre este setor de maior sensibilidade ecológica, a forte limitação dos veículos de apoio, a proibição da instalação de zonas de abastecimento, descarte ou estruturas temporárias fora dos perímetros urbanos, a proibição da utilização de dispositivos de amplificação sonora e a implementação de um plano específico de gestão de resíduos.
Para a ZERO, estas condicionantes reduzem de forma muito significativa um eventual impacte da passagem da Volta a Portugal sobre os habitats protegidos, em particular por evitarem a presença de público e de atividades suscetíveis de provocar perturbação na Mata de Albergaria, preocupação que a associação havia identificado desde o primeiro momento.
A associação considera igualmente positivas as recomendações do ICNF relativas à articulação entre a organização, as forças de segurança, as autarquias e o próprio Instituto, bem como a promoção de ações de sensibilização ambiental junto do público e a divulgação de boas práticas de visitação nas áreas protegidas. Estas medidas poderão contribuir para transformar a realização da prova numa oportunidade para reforçar o conhecimento e o respeito pelo património natural do Parque Nacional da Peneda-Gerês.
A ZERO entende que este processo demonstra a importância do escrutínio público e da intervenção atempada da sociedade civil sempre que estejam em causa atividades de grande dimensão em áreas classificadas. A existência de regras rigorosas e de condicionantes específicas permite compatibilizar, quando tal seja legalmente possível, a realização de eventos com a conservação da natureza, desde que os valores ambientais permaneçam como prioridade.
A ZERO acompanhará a realização da etapa e espera que todas as condicionantes impostas pelo ICNF sejam integralmente cumpridas pela organização da Volta a Portugal e pelas restantes entidades envolvidas, garantindo que a passagem da prova decorra sem prejuízo para os valores naturais que justificam o estatuto único do Parque Nacional da Peneda-Gerês.
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