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Associações elogiam atualizações mas pedem mais atenção do consumidor e maior rapidez na reclassificação de etiquetas de mais produtos.

A coligação Coolproducts (www.coolproducts.eu), um grupo de mais de vinte organizações não-governamentais de ambiente coliderado pela ECOS que se dedica à área da normalização ambiental e pela federação europeia das associações de ambiente (EEB), de que a ZERO e a Quercus fazem parte, dá as boas-vindas às novas etiquetas energéticas que têm agora uma escala reclassificada.

A partir de amanhã, 1 de março, quatro diferentes tipos de aparelhos elétricos terão as suas etiquetas energéticas renovadas: máquinas de lavar loiça, máquinas de lavar roupa, frigoríficos e monitores (incluindo televisores).

As novas etiquetas usam uma escala simplificada de A a G, substituindo as categorias A+, A++ e A+++. Esta reclassificação, com o primeiro A vazio no início, irá permitir que ao longo do tempo surjam aparelhos mais inovadores e eficientes, efetivamente merecedores dos sinais positivos a seguir a esse A. Antes desta remodelação, já quase todos os equipamentos tinham classe A++ ou A+++ e o consumidor não conseguia fazer a distinção entre os mais e os menos eficientes.

Outra novidade é a adição de um código QR às etiquetas energéticas. Ao lerem os códigos, os consumidores poderão aceder a um banco dados contendo informações adicionais sobre o produto.

Nas lojas físicas e online, os produtos à venda têm que exibir as novas etiquetas, havendo um prazo de catorze dias úteis para a substituição das antigas.

As etiquetas energéticas têm incentivado os consumidores a comprar produtos com maior eficiência energética desde há mais de vinte anos. É fundamental que os consumidores decidam em função desta informação que lhes é prestada.

Há catorze categorias de produtos que têm etiqueta energética obrigatória incluindo a maioria dos eletrodomésticos (como máquinas de lavar roupa ou loiça), lâmpadas, ar condicionado de parede e caldeiras. Em média, as etiquetas energéticas ajudam cada família europeia a economizar até 285 euros por ano.

A par da reformulação das etiquetas energéticas, a União Europeia está a introduzir novas medidas de ecodesign para onze categorias de produtos, evitando que os modelos de pior desempenho sejam vendidos na União Europeia e obrigando os fabricantes a tornar os seus produtos mais facilmente reparáveis.

Espera-se que as etiquetas energéticas revistas ​​e as novas medidas de design ecológico gerem, em conjunto e para o total da União Europeia, 167 TWh de reduções no consumo de energia por ano em 2030, tanto quanto três vezes o consumo de eletricidade anual atual em Portugal.

Associações pedem maior celeridade e ambição

A ZERO considera que as novas etiquetas vão permitir poupar milhões de euros e reduzir milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono – bom para a carteira e para o planeta. A revisão das etiquetas energéticas gera economias de energia significativas. Muito mais poderia ser alcançado se a Comissão Europeia intensificasse a sua ambição neste domínio. Deve-se rapidamente atualizar para a nova escala todos os produtos de elevado consumo de energia, como ar condicionado, aquecedores e aspiradores de pó.

As novas etiquetas irão dar uma informação fundamental aos consumidores, tornando mais fácil reconhecer os produtos que podem ajudar a reduzir as contas de energia, ao mesmo tempo que garantem que o mercado evolui de acordo com os objetivos climáticos de Portugal e da Europa. Porém, a ZERO defende que os produtos também devem ser classificados de acordo com a sua possibilidade de reparação e presença de componentes eletrónicos, que tendem a avariar, obrigando os equipamentos a serem substituídos e descartados com muita frequência.

É hora de permitir que os consumidores façam as escolhas certas – para eles próprios e para o planeta. A transição energética começa em casa.