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Dia da Terra – ZERO apresenta hoje as linhas estratégicas de ação para promover uma retoma inclusiva e em pleno respeito pelos limites do planeta.

A Humanidade enfrenta hoje desafios como poucos algum dia imaginaram. Num curto espaço de tempo tudo se tornou diferente sem que consigamos compreender ainda se e quando voltaremos a alguma normalidade e qual a forma que esta assumirá.

A grande questão neste Dia da Terra é: quais serão as características e até que ponto conseguiremos potenciar uma nova realidade que nos proteja de crises futuras, que já se avizinham e que serão inevitáveis se apostarmos no regresso ao business as usual?

Contudo, se agirmos com sapiência e coragem, esta crise pode ser superada através da união de esforços na transformação dos modelos socioeconómicos, focando-nos no bem-estar das pessoas e no estabelecimento de uma relação de equilíbrio e respeito pelos limites do planeta.

É neste contexto que a ZERO preparou um documento com propostas que, acreditamos, podem contribuir para apoiar e concretizar este importante momento de transição.

Este documento será agora partilhado com o Governo (Primeiro-Ministro e diferentes Ministérios), com o Sr. Presidente da República, com os diferentes Grupos Parlamentares e com os nossos representantes no Parlamento Europeu.

Grandes linhas de trabalho

  • Garantir que há uma estratégia concertada, coesa e coerente com visão de médio/longo prazo rumo à sustentabilidade, assente no cumprimento dos objetivos do Pacto Ecológico Europeu, incluindo os compromissos mais ambiciosos de redução de emissões para 2030 e de neutralidade carbónica para 2050. Em suma, estimular economicamente no curto prazo, mas dando sinais claros aos agentes económicos de qual irá ser a trajetória no médio/longo prazo.
  • Os apoios devem ser oferecidos com condições/contrapartidas em termos de desenvolvimento sustentável e serem preferencialmente usados para fortalecer o setor da saúde (tornando-o mais resiliente a crises como a que estamos a atravessar no presente), para promover o bem-estar de todose para proteger o rendimento dos trabalhadores e das pequenas e médias empresas
  • Focar os investimentos em áreas que promovam uma transformação estrutural e criem emprego, por exemplo, na componente digital no sentido de permitir que mais pessoas trabalhem a partir de casa, na aposta numa mobilidade sustentável mais assente na oferta de transportes públicos e interoperabilidade, na redução da pobreza energética através de investimentos em reabilitação de habitações e promoção da eficiência energética junto dos agregados familiares mais vulneráveis, no aproveitamento alargado das energias renováveis ou ainda na promoção de projetos e legislação que permitam aumentar a utilização de materiais reutilizáveis e redução da produção de resíduos.
  • Usar as compras públicas (a nível central, mas também municipal) como motor de investimentos e de incentivo às empresas para oferecerem produtos e serviços sustentáveis.
  • A implementação da legislação nunca deve ser posta em causa ou flexibilizada, pois quando isso acontece são as empresas que são menos proativas e normalmente incumpridoras que são apoiadas, acabando por conseguir competir com as empresas mais preparadas de uma forma desigual.
  • Regulamentar para que os produtos colocados no mercado sejam sustentáveis. Por exemplo, implementar normas de durabilidade, garantias do direito a reparar e atualizar, de reutilização e reciclabilidade. Estas medidas permitirão criar novas áreas de trabalho qualificado na UE.
  • Aposta na formação para uma transição justa, capacitando os trabalhadores, decisores em diferentes contextos, professores e estudantes de ensino superior e a própria administração pública, para conseguirem agir e trabalhar num mundo em transição. 
  • Promover uma nova abordagem ao comércio internacional, evitando promover o transporte de bens a longa distância e privilegiando as trocas comerciais dentro de cada país e entre os países da UE.
  • Desafiar as universidades a integrarem a sustentabilidade nos currículos dos seus cursos, de modo a formarem cidadãos preparados para enfrentar os complexos desafios que se colocam à Humanidade.
  • Adotar novos indicadores para avaliar a evolução dos países rumo à sustentabilidade. O PIB é um indicador insuficiente para avaliar esta evolução num país.

Consulte as propostas da ZERO neste linkO Nosso Futuro Comum