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ZERO alerta para as falsas alternativas ao plástico fóssil. Plásticos biodegradáveis e bioplásticos representam a continuidade do modelo do descartável.

No seguimento do anúncio das conclusões do Grupo de Trabalho sobre os Plásticos, a ZERO vem alertar para o risco de perante a necessidade de reduzir o consumo de plástico de origem fóssil, se cair muitas vezes no erro de apontar para a substituição de materiais como uma alternativa sustentável. Ou seja, em vez de usarmos plástico fóssil descartável, defende-se que se passe a usar o plástico biodegradável ou bioplásticos, também eles descartáveis. A ZERO considera que esta substituição é um erropor diferentes razões:

  1. Não se altera o modelo de produção e consumo, continuando a alimentar o modelo do descartável, que nos trouxe até à situação atual de pré-catástrofe ambiental;
  2. Pode ser um entrave à reciclagematravés da contaminação dos materiais (plástico fóssil e plástico supostamente biodegradável não podem ser reciclados conjuntamente);
  3. É um pesadelo em termos de comunicação com os consumidores(uns plásticos são para recicclar e outros para colocar com os lixo indiferenciado)e pode aumentar o sentimento de desresponsabilização…afinal são “biodegradáveis”;
  4. Esta substituição é contrária ao espírito da Diretivasobre Plásticos de Uso Único, que é aplicável tanto às soluções descartáveis de origem fóssil como às soluções descartáveis supostamente biodegradáveis.

A solução

Do ponto de vista da ZERO, a mudança necessáriadeverá passar pelo trabalho a montante, ou seja, no próprio desenho das soluções, sejam elas embalagens, recipientes, utensílios, garantindo a redução da sua utilização e a sua reutilização, devendo ainda ser integrado o cuidado de garantir areciclabilidade do produto no final da sua vida útil.

Para a ZERO a estratégia de base passa pelapromoção alargada da reutilização, seja em relação a utensílios, recipientes, embalagens ou outros artigos de plástico de utilização única, em pleno respeito pela Diretiva, que advoga a necessidade de que seja assegurada a existência de alternativas reutilizáveis disponíveis para o consumidor.

Dado que se trata de uma mudança de sistemaque acarretará a necessidade de seadaptarem processos e práticas (seja ao nível da produção, seja do consumo), é fundamental que o caminho seja claro para todos e que coloque todos os agentes emigualdade de circunstâncias e perante o mesmo desafio, daí que façamos a apologia da obrigatoriedade da reutilização.

Nos casos em que sejam colocados no mercado utensílios, embalagens, etc. em soluções descartáveis (independentemente do material),deverão estar sempre sujeitos a uma tara, de valorsuperior à aplicada às soluções reutilizáveis, no sentido de passar a mensagem correta ao consumidorsobre qual é a opção mais sustentável. Esta proposta vai ao encontro da Diretiva, dado que esta preconiza que os produtos em plástico descartável sejam sempre disponibilizados aos consumidores com um custo.

O sistema de taraparece-nos ser a melhor soluçãoporque dá um sinal claro a todos os cidadãosque os artigos que estão a utilizar têm um valor e não devem ser abandonados, mas antes devolvidos para reutilização ou reciclagem. Desta forma, e sem prejudicar o consumidor(visto que a tara que paga inicialmente é-lhe devolvida aquando da entrega dos utensílios, embalagens, etc.), será possível promover uma utilização de recursos muito mais regrada e o completar da circularidade do sistema de produção e consumo.

Projetos de reutilização no terreno

Existe já um conjunto alargado de iniciativas que concretizam as propostas aqui defendidas, nomeadamente:

https://recup.de/;

https://en.reset.org/blog/recup-coffee-cup-share-system-set-take-over-berlin-08102017

https://ecobox.lu/en/

https://www.iml.fraunhofer.de/de/abteilungen/b1/verpackungs_und_handelslogistik/dienstleistungen/myecobag.html

https://zerowasteswitzerland.ch/en/2018/06/08/recircle-en/