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Qual o dia com o ar mais poluído em 2017? Qual o dia em que o Tejo recebeu menor caudal de Espanha? E qual o dia de maior produção de eletricidade renovável?

Num trabalho de intensa recolha de dados, a ZERO alerta para os temas ambientais que considerou mais significativos para Portugal através daquilo que considera serem as datas mais marcantes do ano que agora termina. Após um 2017 que foi marcado por incêndios florestais e uma situação de seca muito acentuada, é necessário que 2018 represente o início da concretização de medidas tendo em vista prevenir a ocorrência de situações como as verificadas em 2017. Para que tal aconteça, a ZERO manter-se-á atenta e reivindicativa, sendo muito importante uma atitude semelhante por cada de cada um de nós.

Data Motivo
14 de março Dia com maior produção renovável de eletricidade em 2017; foram gerados 128,6 GWh, o que correspondeu a 91 % do consumo elétrico de Portugal continental do mesmo dia (140,9 GWh); apesar de não se ter conseguido os recordes atingidos em 2016, a produção de eletricidade renovável teve um peso significativo mas não está a aumentar o suficiente.
24 de março e 3 de abril Dias de maior caudal afluente às barragens de Miranda e Fratel, as primeiras em Portugal nos rios Douro e Tejo, 262 e 622 m3/s, respetivamente.
5 de junho Foi o chamado overshoot day para Portugal. Se cada pessoa no Planeta vivesse como uma pessoa média portuguesa, a humanidade exigiria o equivalente a 2.3 planetas para sustentar as suas necessidades de recursos. Tal implicaria que, a área produtiva disponível para regenerar recursos e absorver resíduos a nível mundial, esgotar-se-ia no dia 5 de junho, dia mundial do ambiente. Portugal é, há já muitos anos, deficitário na sua capacidade para fornecer os recursos naturais necessários às atividades desenvolvidas (produção e consumo). A nossa pegada per capita é de 3,9 hectares globais, mas a nossa biocapacidade é de 1,5 hectares globais.
29 de julho Dia com melhor qualidade do ar no país, tendo em conta dados provisórios de partículas (PM10), dióxido de azoto e ozono, devido a condições meteorológicas que facilitaram uma forte dispersão dos poluentes
10 de setembro e 4 de novembro Dias de menor caudal afluente às barragens de Fratel e Miranda, as primeiras em Portugal nos rios Tejo e Douro, 0,53 e 11,89 m3/s, respetivamente. A garantia de caudais mínimos diários com Espanha ainda está longe de ser conseguida, num ano hidrológico 2016/2017 que terminou a 30 de setembro e em que não foram respeitados diversos caudais previstos na Convenção de Albufeira, principalmente o volume anual total no caso do rio Douro.
5 de outubro Dia com menor produção renovável de eletricidade (22,8 GWh), isto é, 19 % do consumo de Portugal continental do mesmo dia (121,7 GWh); infelizmente a situação de seca com impossibilidade de recurso à geração hidroelétrica levou a um uso muito acrescido de combustíveis fósseis (carvão e gás natural) na produção de eletricidade, com consequências grandes no agravamento das emissões nacionais de dióxido de carbono que deverão assim ter um aumento significativo também pelas quantidades emitidas pelos incêndios.
10 (e 16) de outubro A semana que antecedeu os grandes incêndios de 15 de outubro registou condições meteorológicas que conduziram a um grave episódio de qualidade do ar; 10 de outubro foi o dia com o ar mais poluído tendo em conta dados provisórios de partículas (PM10), dióxido de azoto e ozono, seguido de 16 de outubro devido aos incêndios; em Lisboa, em 2017, a ultrapassagem aos valores-limite de partículas (PM10) e dióxido de azoto agravaram-se fortemente, tendo como origem o tráfego rodoviário, sem que tenha havido medidas implementadas para contrariar a situação.
15 de outubro Dia com maior área ardida em Portugal, com 190 090 hectares ardidos. Dados provisórios do ICNF, relativos ao período de 1 de Janeiro a 16 de Outubro, revelam que a área ardida foi de 418 087 hectares. O número de ignições é que parece não abrandar, já que se registaram 16 613 ocorrências e 22% das mesmas originaram incêndios com área superior a 1 hectare. Se analisarmos em detalhe as ocorrências que deram origem a incêndios florestais, verificamos que em média a área ardida de 115 hectares por ocorrência. Independentemente do investimento de longo prazo que se vier a concretizar numa floresta mais diversificada e melhor gerida, os números de ocorrências registados parecem indicar que a solução está na erradicação de comportamentos de risco (negligentes e criminosos), recorrendo a uma vigilância omnipresente junto às áreas críticas.
31 de outubro Dia de maior seca em Portugal Continental. De acordo com os dados do IPMA, neste dia 100% do território de Portugal Continental encontrava-se em seca extrema (75,2%) e severa (24,8%). Foi o pico de uma seca prolongada, que começou ainda durante o Inverno, e que se agudizou ao longo da primavera e verão. No mês de novembro, devido à ocorrência de alguma precipitação, a situação de seca desagravou-se ligeiramente, mantendo-se no entanto ainda em todo o território continental.

Quatro perspetivas e desejos para 2018

  • Em 2018 deverão ser dados passos concretos que permitam salvaguardar os solos e fomentar uma floresta resiliente e multifunções, ainda que se reconheça que se trata de objetivos de execução plurianual. Envolver e capacitar as populações nas medidas de proteção contra incêndios e apoiá-las no fomento da floresta autóctone, são duas dimensões fundamentais a trabalhar.
  • O envolvimento de todos é também necessário no caso da água. Aplicar de forma eficaz o Plano para o Uso Eficiente da Água, promover a reutilização segura de águas residuais tratadas, o aproveitamento das águas cinzentas e pluviais, e uma sensibilização de cidadãos, empresas, agentes políticos e sociais para o valor da água e a importância de travar o desperdício, são medidas a concretizar sem falta.
  • 2018 será também o ano em que se concretizará uma visão sobre como poderá Portugal atingir a neutralidade carbónica em 2050. O desafio é enorme e irá implicar o envolvimento de todos, pelo que um diálogo aberto e transparente visando encontrar as melhores estratégias para eliminar a dependência dos combustíveis fósseis, fomentar o uso de fontes renováveis de energia e potenciar um uso racional da energia, será fundamental para a construção de um roteiro inspirador para os diferentes setores da sociedade portuguesa.
  • Com a aprovação recente do documento estratégico nacional sobre Economia Circular, a par com o debate a nível europeu sobre a matéria, a ZERO espera que 2018 seja um ano de viragem, onde a forma como produzimos e consumimos passe a respeitar os limites do planeta e permita reduzir a nossa pegada ecológica. Repensar, reduzir, reutilizar e reciclar deverão tornar-se hábitos regulares.

A ZERO deseja a todos um Excelente ano de 2018!

Crédito foto: NASA

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