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21 praias já estiveram interditas e mais de 22 praias já tiveram banho desaconselhado ou proibido esta época balnear

A Associação ZERO efetuou uma avaliação dos resultados relativos à qualidade das águas balneares na presente época balnear disponibilizados para consulta no Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (http://snirh.apambiente.pt) e comparou com a situação verificada na época balnear passada de 2021 para o mesmo período de tempo.

Existem atualmente 675 águas balneares, com um número muito limitado de praias a revelarem problemas, mas de forma praticamente tão expressiva como na época balnear passada. O desaconselhamento ou proibição de banhos, mesmo que durante um curto período de tempo, afetou 22 praias, menos 23 do que em igual período do ano passado. Nestas zonas balneares as análises ultrapassaram os limites fixados tecnicamente a nível nacional relativamente a pelo menos um dos dois parâmetros microbiológicos que são avaliados (Escherichia coli e Enterococus intestinais).  21 praias foram interditadas até ao momento, mais uma que em 2021, a maioria por má qualidade da água, apesar dessa informação não ser disponibilizada pelo Sistema de Informação e apenas através da comunicação social se consegue confirmar as razões. Em muitas destas praias interditadas não se assinala ter havido água imprópria para banhos, nem se disponibilizam os dados das análises (casos de algumas praias em Matosinhos ou Armona-Mar em Olhão). As águas balneares que apresentaram maior número de situações de água imprópria para banhos foram no Funchal, a água balnear de Poças do Gomes – Doca do Cavacas (três situações) e em Sines a água balnear de Morgavel (duas situações).

Sistema de Informação Nacional com falhas graves

A ZERO considera que continuam a existir falhas na informação que é disponibilizada no sítio de internet da Agência Portuguesa do Ambiente dado que não se esclarece devidamente os motivos de interdição das zonas balneares e os procedimentos por parte dos Delegados Regionais de Saúde, existindo situações de contaminação semelhantes onde nuns casos  foram realizadas novas análises antes de voltarem a ser permitidos os banhos e noutros não. Tal como referido anteriormente, há muitos casos de praias onde foi decretada a interdição (temporária ou permanente) para as quais não consta no sistema qualquer informação sobre os motivos que levaram à decisão de interdição nem quaisquer resultados de análises que tenham sido realizadas. Mais ainda, há 48 águas balneares sem quaisquer resultados de análises disponibilizados (7% do total).

É sempre importante investigar e acima de tudo prevenir contaminação

Da análise dos dados efetuada pela ZERO, é importante refletir sobre vários aspetos:

  • Houve muitas praias interditas por parte dos Delegados Regionais de Saúde no interior, locais mais suscetíveis a descargas, controlo de poluição difusa ou falta de tratamento de águas residuais, que requerem medidas adequadas de controlo;
  • Muitas das zonas balneares que sofreram um desaconselhamento ou interdição durante a presente época balnear têm classificação Excelente, devendo, portanto, tratar-se de episódios esporádicos que, no contexto da legislação, até podem não pôr em causa a sua qualidade, mas que devem ter as suas causas devidamente averiguadas.

Em cada um dos casos é fundamental identificar a origem dos problemas e averiguar responsabilidades, desempenhando a Agência Portuguesa do Ambiente e a Inspeção Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território um papel decisivo.

Apenas uma das praias ZERO poluição apresentou problemas significativos

Entre as 58 praias classificadas pela associação como praia ZERO poluição (zonas balneares onde não foi detetada qualquer contaminação nas análises efetuadas ao longo das três últimas épocas balneares), listagem esta publicada no início de junho deste ano, e disponível em https://zero.ong/58-praias-zero-poluicao-em-29-concelhos-mais-cinco-que-em-2021-e-ha-uma-agua-balnear-interior/, nenhuma foi abrangida por interdição ou pelo desaconselhamento ou proibição a banhos, com exceção da praia de Armona-Mar no concelho de Olhão.