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Governo Português oficialmente deve mostrar desacordo.

Decorre hoje uma reunião da assembleia geral de acionistas proprietárias da Central de Almaraz (detida pelas empresas Iberdrola – 52%,Endesa – 36% e Naturgy – 11%), que tem como objetivo a aprovação do pedido renovação da licença de exploração da Central até 2028.

O Governo Espanhol havia aprovado recentemente o calendário de encerramento de todas as centrais espanholas entre 2025 e 2035, devendo assim a Central de Almaraz ser encerrada em 2024 (2023 o reator I e 2024 o reator II), data já para além do desejado e justificado pelas associações ambientalistas, nomeadamente a ZERO.

As empresas têm até ao final deste mês para solicitarem a renovação das licenças, estando a decisão final dependente do Governo Espanhol. Ainda antes, o Conselho de Segurança Nuclear, cujos conselheiros foram recentemente nomeados, deverá avaliar e definir as condições de segurança das centrais.

A Central Nuclear de Almaraz é atualmente a mais antiga a funcionar em Espanha, a pouco mais de 100 km da fronteira com Portugal, tendo o seu período de vida útil de 30 anos (que terminava em 2011) sido prolongado. A produção de eletricidade a partir de centrais nucleares é considerada insustentável pelos riscos que acarreta, quer na fase de funcionamento, quer pelos resíduos radioativos que obrigam a soluções que são difíceis e dispendiosas, e ainda por ser uma fonte de energia não renovável. Os danos associados a uma fuga radioativa, seja para a atmosfera, seja para as águas do Tejo, podem ser muito significativos. Quanto maior a longevidade de uma central nuclear, maior o risco de acidentes. A Central de Almaraz tem sofrido nos últimos anos vários incidentes de segurança, embora, felizmente, nenhum com gravidade.

A recente construção do Armazém Temporário Individual (ATI) em Almaraz vem demonstrar, conforme a ZERO e outras associações ambientalistas haviam então alertado, que a verdadeira intenção seria o prolongamento de vida da Central.

A ZERO considera que o Governo Espanhol deverá ser firme na sua decisão anterior de desfasamento da produção de eletricidade com origem nuclear, e manter o calendário de desativação das centrais nucleares inicialmente previsto, garantindo o encerramento da Central de Almaraz em 2024. O Governo Português deve desde já também manifestar a sua discordância.