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Enquanto a sociedade civil se organiza para recuperar a floresta portuguesa

Numa altura em que surgem muitos movimentos organizados de cidadãos que tentam efetuar a recolha de sementes e programar plantações, com o objetivo de contribuir para a recuperação da floresta autóctone nas áreas afetadas pelos incêndios, a ZERO acha importante fazer um conjunto de recomendações, por forma a contribuir para a sustentabilidade e sucesso destas iniciativas.

Como primeira nota, e considerando a elevada suscetibilidade dos solos à erosão nas áreas ardidas, antes de se fazer qualquer sementeira/plantação deve-se tratar de estabilizar os solos e tentar facilitar a infiltração da água da chuva, utilizando técnicas de engenharia natural, como a instalação de barreiras contra a erosão utilizando a madeira queimada, a utilização de restos de madeira estilhaçada para cobrir o solo ou fazer sementeiras de plantas herbáceas autóctones de rápido crescimento.

As dez recomendações ZERO

  1. A recolha de sementes e produção de plantas, deve garantir o cumprimento da legislação em vigor. Existem 48 espécies florestais de certificação obrigatória, entre as quais se contam a azinheira, o sobreiro ou o carvalho-alvarinho, que só podem ser colhidas em bosquetes e povoamentos certificados, de forma a garantir não só as características genéticas das futuras plantas, assim como diminuir o risco de alastramento de pragas, doenças e propagação de espécies exóticas. Antes de uma ação de recolha de sementes, deve ser consultado o ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
  2. Na recolha de sementes devem seguir-se as boas práticas de colheita e manuseamento, nomeadamente no que se refere à época para a recolha de cada uma das espécies, assim como ao seu acondicionamento e processamento. Deve consultar o Guia Técnico – Regras para o manuseamento de sementes florestais (http://www.icnf.pt/portal/agir/boapratic/resource/doc/manuseam-sem-florest).
  3. Há que ter em atenção que as ações de arborização e rearborização devem cumprir a legislação em vigor, pelo que antes de programar uma ação de plantação há que obter informação junto do ICNF, dos Gabinetes Técnicos Florestais dos Municípios onde se pretende efetuar a intervenção, ou das Associações de Produtores Florestais dessa região.
  4. É importante garantir que as plantas utilizadas são de origem nacional, e preferencialmente resultantes de sementes e estacaria recolhidas nas proximidades da área a intervir, garantindo que à partida são plantas mais adaptadas às condições de terreno e clima e com maior probabilidade de taxa de sucesso. Selecionar as espécies segundo as condições da área em termos de disponibilidade de água e características do terreno, na zona sul do país preferindo espécies mais adaptadas a condições de secura como a azinheira ou o sobreiro, na região centro e norte optando por diversas espécies de carvalho, consoante a disponibilidade de água e a altitude. Junto às linhas de água, optar por espécies como o freixo, o amieiro (apenas para linhas de água com caudal permanente) e o salgueiro.
  5. Garantir que na preparação do terreno, as intervenções são feitas segundo a curva de nível com o mínimo de mobilização do solo, de forma a prevenir problemas de erosão e consequente perda de solo nos períodos de maior pluviosidade.
  6. Proceder à distribuição das plantas no terreno de uma forma o mais natural possível, utilizando várias espécies que possam resultar na criação de um bosque natural e diverso.
  7. Garantir que nos anos seguintes à plantação haverá ações de substituição de árvores e arbustos que não sobreviveram (retancha), já que a mortalidade das plantas nos primeiros anos é muito elevada.
  8. Sempre que possível, deve ser aproveitada a regeneração natural com ações de poda e condução de plantas, dado que o trabalho feito pela própria natureza é à partida uma garantia de sucesso das plantas que germinaram ou regeneraram naturalmente.
  9. Prever a eventualidade de ser necessário proceder à rega das plantas nos períodos mais secos do ano, com vista a melhorar a taxa de sobrevivência das plantas instaladas no terreno.
  10. Optar por ações de sementeira e/ou plantação em terrenos públicos e comunitários (Baldios), que garantam o acompanhamento e manutenção a médio prazo.

Um bom exemplo de divulgação de boas práticas nesta área tem sido o Município de Oliveira do Hospital que, através do seu Gabinete Técnico Florestal, disponibilizou um conjunto de recomendações aos munícipes, iniciativa que deveria ser seguida pelos outros Municípios das áreas afetadas:

(http://www.cm-oliveiradohospital.pt/index.php/municipio/item/1552-areas-florestais-ardidas-recomendacoes-para-protecao-do-solo-contra-a-erosao)

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