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7 de setembro, é o primeiro Dia Internacional do Ar Limpo para um céu azul instituído pelas Nações Unidas.

Dia Internacional do Ar Limpo para um céu azul instituído pelas Nações Unidas

A poluição do ar é o maior risco ambiental para a saúde humana e uma das principais causas evitáveis ​​de morte e doenças em todo o mundo, com cerca de 6,5 milhões de mortes prematuras (2016) atribuídas à poluição do ar interior e exterior. A 19 de dezembro de 2019, através de uma Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, foi instituído o Dia Internacional do Ar Limpo para um céu azul, a comemorar a anualmente a 7 de setembro.

A poluição do ar é um problema global com impactos de longo alcance devido ao seu transporte a longas distâncias. Na ausência de medidas, estima-se que o número de mortes prematuras resultantes da poluição do ar ambiente aumentará em mais de 50% até 2050.

As partículas minúsculas e invisíveis de poluição penetram profundamente nos nossos pulmões, corrente sanguínea e corpo. Estes poluentes são responsáveis ​​por cerca de um terço das mortes por acidente vascular cerebral, doenças respiratórias crónicas e cancro de pulmão, bem como um quarto das mortes por ataque cardíaco. Também o ozono de superfície produzido pela interação de muitos poluentes diferentes na presença de luz solar, é uma causa de asma e doenças respiratórias crónicas.

A sociedade arca com um elevado custo da poluição do ar devido aos impactos negativos na economia, produtividade do trabalho, custos com saúde e turismo, entre outros. Os benefícios económicos de investir no controlo da poluição do ar são muito elevados.

Alguns poluentes atmosféricos, como o carbono negro, metano e ozono de superfície, são também poluentes climáticos de curta duração e são responsáveis ​​por uma parte significativa das mortes devidas à poluição do ar, impactos nas culturas agrícolas e, consequentemente, na segurança alimentar, bem como nos ecossistemas. A comunidade internacional reconhece que melhorar a qualidade do ar promove também a mitigação das alterações climáticas e vice-versa.

 

Lisboa: valores-limite da legislação a serem cumpridos face a uma redução média de 25% nas zonas de tráfego nos últimos dois meses

A ZERO efetuou uma análise dos dados das concentrações de dióxido de azoto (NO2) em três estações de monitorização em zonas de tráfego (Av. da Liberdade, Entrecampos e Santa Cruz de Benfica) e na estação de fundo urbano que regista maiores concentrações deste poluente (Olivais) recolhidos pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo e disponibilizados através do site QualAr. Foram comparadas as concentrações de 2020 com a média dos dois anos anteriores (2018 e 2019) antes das restrições associadas à pandemia de covid-19, durante o período de estado de alerta e emergência, durante o estado de calamidade, e mais recentemente, durante o estado de alerta.

O dióxido de azoto, é um excelente indicador da poluição associada à atividade humana e tem sido usado por diversas entidades e universidades à escala mundial para avaliar o impacte positivo da quebra da atividade económica e da mobilidade na qualidade do ar por contraponto às consequências dramáticas da pandemia. O dióxido de azoto medido é principalmente consequência direta dos processos de combustão que têm lugar nos veículos, com maior responsabilidade dos que utilizam o gasóleo como combustível que apresentam maiores emissões comparativamente com os veículos a gasolina.

Depois de vários recordes associados a uma excelente qualidade do ar, e onde a redução da concentração de dióxido de azoto atingiu 57 e 59% na Av. da Liberdade e em Entrecampos durante o período de maiores restrições por comparação com a média de 2018-2019 para o mesmo período, em julho e agosto essas reduções foram da ordem dos 25% nas estações de tráfego, com uma redução de 33% na Av. da Liberdade e de 27% em Entrecampos.

Evolução da concentração de dióxido de azoto em diferentes estações de monitorização da qualidade do ar em Lisboa (em ug/m3)

ZERO quer mais medidas da Câmara de Lisboa

Sendo desejável a retoma do funcionamento da cidade de Lisboa, e face aos valores atuais que estão mais próximos de assegurar a salvaguarda da saúde pública de quem habita e trabalha no centro de Lisboa, a ZERO apela para a capacidade de se implementar de forma progressiva um conjunto de medidas que consigam no futuro garantir o cumprimento da legislação e melhorem a qualidade de vida numa das áreas mais nobres da cidade. A par da construção de ciclovias que tem vindo a ter lugar, é absolutamente crucial que a Câmara Municipal de Lisboa aumente o nível de ambição das Zonas de Emissões Reduzidas e crie a Zona de Emissões Reduzidas (Avenida-Baixa-Chiado) que implica uma forte redução de tráfego e emissões. Em toda a Europa as pessoas perceberam quão importante é preservarmos a saúde e Lisboa como Capital Verde Europeia não pode desperdiçar esta oportunidade de fazer uma recuperação ambientalmente exemplar.

Quatro exigências para que amanhã todas as nossas cidades sejam mais saudáveis

Neste Dia Internacional do Ar Limpo, a ZERO, em conjunto com a Aliança Europeia de Saúde e Ambiente (HEAL), aponta um conjunto de medidas fundamentais a implementar nas cidades portuguesas.

Cidades para as pessoas

As cidades devem pertencer às pessoas, não aos carros – as cidades precisam de ser construídas e repensadas para o usufruto de uma melhor qualidade de vida pelos seus habitantes e por quem as frequenta. Reduzir o uso do carro é bom para a saúde, a produtividade, a habitabilidade urbana e a economia.

Queremos: Centros urbanos sem carros com espaços verdes e áreas principalmente pedonais; um planeamento urbano que ofereça mobilidade sem carros para trabalho e lazer.

Incentivar o andar a pé e de bicicleta

Caminhar e especialmente andar de bicicleta é uma ótima maneira de nos movermos nas cidades, beneficiando a saúde através da atividade física e melhorando a saúde pública através da redução da poluição

Queremos: Expansão de ciclovias seguras dentro e em redor do centro da cidade; uma cidade amigável para as pessoas se moverem em segurança, sem barreiras e confortavelmente, com vistas atraentes e oportunidades usufruírem de um bom ambiente

Transporte público sustentável e acessível

Cidades sem carros precisam de opções de transporte público confiáveis, económicas e verdes. Sistemas de transporte inteligentes e sustentáveis ​​melhoram a qualidade do ar e beneficiam a saúde e o clima.

Queremos: Alternativas ou melhorias do transporte público confiáveis, acessíveis, económicas para todos e sem uso de combustíveis fósseis; penalização do uso do carro nos acessos ao interior das cidades que estejam bem servidas por transporte público.

 

Cidades com espaços verdes no seu interior

Os espaços verdes urbanos podem promover a saúde mental e física e reduzir a morbilidade e mortalidade, com relaxamento e redução do stress, promovendo conexões sociais e permitindo a atividade física. As zonas verdes reduzem a poluição do ar, o ruído e o calor excessivo.

Queremos: Expansão de áreas verdes e construção de corredores ecológicos nas cidades incluindo parques, jardins comunitários ou plantação de fachadas; melhorar significativamente as ofertas de desporto, jogos e recreação para todas as idades, com locais gratuitos para exercícios ao ar livre.