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ZERO satisfeita com posição de Portugal sobre o nuclear na União Europeia, mas, em relação ao gás natural, impera o silêncio

Nuclear e gás natural não podem ser investimentos com um selo verde

A taxonomia europeia destina-se a dar orientações para investimentos necessários orientados e em linha com a transição económica da Europa. Os planos da Comissão Europeia divulgados nos últimos dias para incluir a energia nuclear e o gás natural (fóssil) como investimentos verdes são desastrosos. A energia nuclear é insustentável devido aos graves riscos de segurança, custos e aos problemas relacionados com os resíduos. Por sua vez, o gás natural emite grandes quantidades de gases com efeito de estufa nocivos para o clima ao longo de toda a cadeia de extração e transporte, nomeadamente metano. Os investimentos em energia nuclear e gás natural não são compatíveis com a trajetória de neutralidade climática da União Europeia e não podem ser considerados investimentos sustentáveis ou com contributo para os objetivos climáticos europeus. Se isto acontecer, corremos o risco de estar a estender novamente o tapete à promoção de projetos obsoletos e extremamente prejudiciais para o planeta.

 

Posição de oposição de Portugal ao nuclear é inequívoca

A ZERO apoia que a posição que Portugal teve no recente Conselho Europeu, reforçando a recusa da energia nuclear como uma solução verde e segura e a confiança no comércio europeu de licenças de emissão como forma de se atingirem as metas de redução de emissões traçadas pela Europa e pelos vários países, tornando menos competitivas soluções altamente poluentes como o uso do carvão na produção de eletricidade.

A ZERO lembra que a 11 de novembro, aquando da COP26 em Glasgow, Portugal assinou uma declaração conjunta com Alemanha, Luxemburgo, Áustria e Dinamarca para excluir a energia nuclear do financiamento europeu. Note-se que a Alemanha e a Espanha estão precisamente a desmantelar sem hesitações o seu parque nuclear, apostando fortemente em investimentos renováveis.

 

Relativamente ao gás natural, tem imperado o silêncio, e ZERO quer uma oposição clara de Portugal

Portugal tem um conjunto de investimentos ainda previstos no que respeita à rede de gás natural e que tiveram em discussão pública há poucos meses no âmbito do Plano Decenal Indicativo de Desenvolvimento e Investimento da Rede Nacional de Transporte, Infraestruturas de Armazenamento e Terminais de GNL (RNTIAT) para o período 2022 a 2031 (PDIRG 2021).

A posição pública de Portugal sobre a classificação do gás natural como merecendo uma rotulagem verde a nível europeu não é conhecida e tem imperado o silêncio. Mais ainda, a ZERO tem levantado diversas questões de perpetuação do uso desde combustível fóssil à custa dos planos de injeção de uma pequena percentagem de hidrogénio na rede de transporte de gás natural, obrigando ao uso continuado de gás, mesmo que com menor impacte ambiental.

Os esforços para limitar o aumento da temperatura global em 1,5° C não deixam espaço para os combustíveis fósseis, incluindo o gás fóssil num futuro próximo. Uma maior fração de fontes de energia renovável é o caminho a seguir para uma maior resiliência, independência energética e preços mais baixos.